terça-feira, 29 de março de 2016

Prelúdio: a que rumos destina-se este fim?


Presumo que já não me hajam razões para escrever de Dor se deveras não a sinto, ao menos não como em outrora a sentira. Não que tenha eu fugido da possibilidade tão humana de vir a ser triste. Não direi isto, nem que hoje sou um homem de aço, ou que já não choro, ou que me insensibilizei à vida, antes impetuosa, confusa e ruim. Não o direi. Primeiro porque a Vida prossegue tirana pelo simples fato de seguir exercendo seu acontecer sobre o mundo, segundo porque não abandonei minha condição de humano e a isto recai a certeza de que sim, ainda sou para sofrer, ainda sou para temer, ainda sou para ter comigo mesmo as mesmas crises que fundaram todo este espaço. Ainda sou para isto e para muito mais. Acrescento, e ouso estar bem certo disso, que ainda sou para Dor, porque acredito fielmente que ela seja inerente ao meu frágil existir. Ora, não posso crer, logo eu, carne, que não vá doer nunca. Sou carne e carne dói! Sou mente e mente sofre! Porém não posso negar que sendo carne eu também me recomponha e sendo mente eu também alegre-me. É neste exato ponto onde o cerne desta discussão habita.

Venho eu - talvez à primeira vez - tecer algumas palavras que finalmente não gozam de minha própria angústia, palavras que não são lâminas rasgando minha própria pele. Desta vez, me são palavras de sentido também, mas que não perpassam agora os meus silêncios caducos, nem precisam estar companhadas de derramamentos lacrimosos. Sinto que toda aquela melancolia, com a qual - vestido - vinha conduzindo as coisas e este espaço todo, se mostraram débeis frente à minha atitude de aceitação. Para fins de comparação, aproprio-me sem medo da narração contida em Gênesis (1:1), quando é dito, depois de Deus criar cada coisa, que ele vê que aquilo tudo é bom. Digo isto porque longa foi a agonia e os caminhos traçados até aqui. Para lhes dizer a verdade toda, tudo quanto aqui lhes contei fora desejo de libertação (tão somente!). Ou pela Poesia, ou pela Crônica, ou pelo que quer que tenha sido escrito aqui, de mais ordinário ou banal, de modo mais ridículo ou tido como infértil, foram falados os aquilos que me estavam calados e este me era o preço do dizer; me tiraram por louco, envaidecido, me taxaram de doente, de depressivo, de insano, de neurótico, de obsessivo. Não me era novidade que não estava sendo compreendido. Na Vida, o olhar da opinião, ou dito de outra forma, esta glorificação social da normalidade, aquilo que é o que forma o homem e seu discurso, é o extermínio dos emocionalmente inteligentes, aqueles que querem ser o que são, os que estão soltos e despre(te)ndidos de todos os arquétipos que solidificam esta rede, esta massa, esta coisa a que chamamos sociedade e que ainda especificamos: moderna.

Permitam-me tentar voltar a mim mesmo agora e explicar os desacertos, sem as devidas considerações tais como se vieram, mas com o zelo ao histórico dos acontecidos. Ocorreu-me que caí em mim e lhes confesso, pois, a ilusão. Pois bem, de certo que este espaço virtual, por muito, preencheu-me os assombros de tantas noites. Vistas de hoje, já não passam de comuns. Noites comuns. Conto-lhes isto porque parece-me, ainda que estranhamente, que não mais cai sequer uma gota de angústia ou lágrima se espremo o pano de minha história, digo esta história contada aqui, no Choros de um Palhaço. Por isto é estranho pensá-lo, visto que este Blogue fora durante muitos anos o latíbulo de quem, calado ao mundo, gritava a si. Reparando bem, este espaço era ao Palhaço o campo onde todos seus escombros podiam ficar a mostra. Nus. Descalços. Dor e bagunça, confusão e medo,  ânsia e vômito, insegurança e desconhecimento. Aos que têm limpa a vista, é evidente toda a Psicologia que há aqui, todo o simbólico, todo o manifesto sofrimento. De fato que, sob uma boa análise, minha poesia dita confessional nada mais era senão a vitrine de minha própria tristeza. Leão enjaulado. Pássaro no peito.

Pois que me chegou o tempo da Esperança. Não, eu não alterei nada no mundo senão meu próprio movimento. Eu tão somente me obriguei a parar de disfarçar os rasgões e os remendos e estendi a mim mesmo as revelações que me fazia a própria consciência. Eu disse-me o que eu mesmo era, e mais do que dizer, aquilo foi uma afirmação tão certa de mim comigo que eu não pude mais conter-me quieto. Eu me expandi enquanto Ser-no-mundo. E cá estou, aberto, amparado, com minhas marcas, claro, porque não me largam. E que bom que minhas marcas continuam em mim [e no meu corpo!], que bom que minha história passada continua sendo a mesma, que bom que ainda tenho as mesmas feridas, os mesmos arranhões, porém, melhor ainda é ter algo singular e determinante alteado: o meu olhar sobre isto tudo. O melhor da mudança é quando na tentativa de alterar as coisas, altera-se a si mesmo e em tal caso cria-se liberdade. E, na liberdade, que voo! 

Mas, retornando às coisas primeiras, caros leitores, eu nem sei que lhes digo. Que seria esta publicação senão um atestado de óbito? E que sentimento há nele senão o de autêntico júbilo? É tempo de floreSER, de encontrar, de mover, de remar, de seguir. É tempo de enLUTAR esta morte que tão bem descreve Machado de Assis, assumindo Brás Cubas, palavras com as quais encerro este meu discurso, que de tão pobre me exaure, mas de tão verídico, me cumpre:
[...] A gente pode sacudir fora a capa,  deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despontar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há plateia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele não se estenda para cá, e nos não examine e julgue, mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados!" (Machado de Assis in Memórias Póstumas de Brás Cubas, capítulo XXIV)



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A um grande amigo, com zelo.


O que é a Vida, meu amigo senão um processo de infinitas possibilidades? O que é a vida senão a tentativa de ser, no mundo, algo? Que seria esta vida senão uma passagem de encontros e despedidas, idas e vindas, onde o amor tece sua voz e encontra seu sentido? A vida, meu amigo, é como um iceberg onde o que está para além da superfície é apenas um pequeno fragmento do que ela é, apenas uma pequena instância de seu real tamanho. Para conhecê-la, como a um iceberg, é preciso mergulhar, é preciso ir de cara, de peito, de coração e se entregar sem medo. Exageradamente! A vida, meu amigo, era aquela sua sede por felicidade, aquela ávida vontade de fazer bem às pessoas e de poder estar com elas, fosse em dias bons ou ruins. A vida foi aquilo que você exerceu com a mais descomunal devoção, a vida, essa breve e louca vida, foi, é e sempre será este curto espaço de tempo, esta passagem concedida por Deus para que possamos disseminar no mundo todas as sementes de bem quanto tivermos em nossos bolsos.

Um exagerado! Tk era um desses caras por onde a Vida atravessava e deixava de ser mistério para se tornar descoberta. Um desses caras simples, companheiro, desses que Deus nos presenteia uma única vez na vida. Mais do que um amigo, um ouvido, disposto a escutar tantas quantas fossem as lástimas, um ombro, disposto a acolher tantas quantas fossem as lágrimas, uma voz, disposta a dizer bem de mansinho palavras de afeto e desejos de felicidade, um abraço, disposto a enlaçar qualquer alegria. Tk era, sobretudo, um irmão e sua família é tão grande que se chama Cidade, seu amor tanto que não coube no mundo.

Já o sol se teve posto e já se é primeiro do mês. E nós quisemos, por teimosos que somos, não acreditar em tudo quanto se passou. Talvez não consigamos ainda crer que hoje fazem sete dias que esta cidade anda silenciosa e triste. Que os bancos estão vazios nas praças. Sete dias que não recebemos sua mensagem ou sua visita. Aonde está você agora além de aqui, dentro de nós? Esta condição de Nada, meu amigo, sob a qual estamos todos nós sinados, ainda é demasiado dolorida. Enquanto humanos, só temos aos sentidos para nos permitir experienciar aquilo a que chamamos de emoção. São eles, os sentidos, que nos dão esta proporção agora de dor e foram eles que nos propiciaram todas as memórias que guardamos, todos os sorrisos de todas as tardes, as diversões de todas as saídas e a alegria de todos os encontros. Agora, longe deles, como encontrar respostas para nossa própria consolação? Como entender que tornado à instância do silêncio, não haverão mais aconselhamentos, conversas, abraços, risadas senão estas que estão agora trancafiadas em nossa memória? Como aceitar meu amigo, que a palavra LUTO que foi sempre seu maior verbo, hoje é nosso estado emocional?

Meu querido amigo, escrevo-lhe isto porque não pude despedir, sequer pude acompanhar de perto as honras fúnebres, sequer  me foi possível despejar uma flor amarela junto a lágrima e, por isso, tudo quanto vive em mim hoje é esta ideia, solta e seca, de que não está mais conosco. Estou tentando admitir para mim mesmo o fato de você ter abandonado a condição de humano como um pássaro abandona o inverno em busca de outros verões. Mas é isto, é o que nos cabe, reconhecer que agora é Luz.

Mas afinal, o que é uma luz? Vejamos ao nosso redor. Uma luz é uma energia que se dirige a todos os lados, a todos os cantos onde consegue alcançar e nos permite enxergar à noite, quanto tudo é breu. Uma luz é isto que se espalha pelo espaço até não ter mais forças, aclarando o chão dos nossos caminhos para que possamos nos guiar pelo mundo e seguir em frente. Pois que assim também é a presença de Deus em nossas vidas. Deus é, sobretudo, luz! E sai desobscurecendo nossos corações cheios de dor, iluminando nossa ida, clareando nosso destino. Tudo que nos resta agora é pedir que Ele, que é quem rege nossa eternidade, que nos possa esperanciar o coração para que encontremos conforto onde não há aceitação.

Para os dias que seguem, saudades. Se saudade fosse uma data, certamente seria 24 de novembro de 2015. Mas não o é. "Saudade é o que se sente lá no escuro, quanto a última luz se apaga triste. Saudade é não ter algo que existe, é sentir na alma só, um vão murmúrio". Saudade é este silêncio que fica ecoando por dentro, que todos nós sentimos agora. É esta sua pausa em meio a nossa continuidade. Ah, meu amigo, eu já nem sei se estamos vivendo de lembrança ou morrendo de saudade. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Crônica a Raul (ou morte e vida de um Luar)

Naquele dito dia três, entre a noite e o dia, Raul sentia algo a lhe queimar os órgãos por dentro, algo inflamando o espírito, algo que não sabia exatamente o quê, mas que o impulsionava  para um trágico posicionamento diante de si mesmo. Morrer sem graduações! Deixar-de-Ser, simplesmente. Cessar consigo, inadmitido, desaceitado e triste. Sem sofrimento, sem alardes. Morrer silenciosa e tranquilamente. Abandonar de si a própria natureza humana como um pássaro migrando para outros verões. Por aquela noite, era o que Raul mais desejava. Podia ver, inclusive, todos os portões da eternidade escancarados, dava para enxergar a linha divisória entre a Existência e O Nada. Entre a Vida e Morte, apenas uma sutil linha na qual cambaleava aquele menino que há pouco completara seus vinte anos. Seu sentido era o de ir adiante no escuro até se tornar escuro também. O sentimento, este de estar na iminência de não Ser mais, revestia-lhe qual um véu. Era, no fundo, uma pretensão - egoísta e desmedida - de fuga da angústia. Claro que a alguém que em determinado momento não cumpre com o prazer de gostar da própria vida, matar as próprias mágoas é uma solução, e para ser mais trágico, ao nível da dor, tocar fogo na casa onde todas elas moram é uma opção. Ainda que esta casa seja seu próprio eu.

Naquela madrugada de outubro, muda e fria, às vésperas das quatro, Raul se misturava e se confundia com os próprios sentimentos. Suas verdades, as que só ele mesmo pertenciam, as que só a ele diziam respeito, as que só por ele poderiam ser sentidas e compreendias, revelavam-no sozinho no mundo. Só, dentro da sua própria condição, dentro das consequências de suas escolhas. Só, dentro da sua própria vontade, dentro da sua própria mentira e negação.

Enquanto o ventilador fazia o movimento cíclico do não, com o ar de um lado ao outro, eram estes os ventos que pairavam na cabeça daquele rapaz Raul, de nome triste, que já desfrutara tão intensamente de uma tristeza convexa e cíclica, que já não permitia mais se dar às próprias lástimas. Insuportável sua situação. Seu eu doía tanto, e era uma dor tão aguda, tão desatinada, tão profunda, que fazia total sentido não ser mais para não sentir mais. Algumas pílulas estavam ao seu lado, no chão, trazidas. Pílulas da felicidade? Do amortecimento? Também haviam facas na cozinha, amoladas todas, giletes do banheiro, mas transpassar o próprio corpo exigiria-lhe uma frieza tamanha que o zelo de seu ego não permitira existir, e arma não tinha, já que rápida, apesar de barulhenta e reveladora. Havia fogo na casa, mas não poderia ser bem feito o ato que atingisse a alguém de um modo que não fosse puramente psicológico. 

Raul sofria. Já chorara tanto que eram todos dor seu peito, garganta e cabeça. Pensava em como seria o amanhã, já não seu mais, já que não dentro de sua ótica, mas acontecido tão somente nos outros. Pensava, no impacto nas pessoas, no desespero da mãe, da vó, do pai amigo, dos irmãos pequenos, dos companheiros de faculdade e do pessoal do trabalho que vira e mexe o ridicularizava. Talvez não aceitassem, nem eles nem os amigos, nem a cidade, nem os próprios desconhecidos, esta sua liberdade, esta sua atroz escolha pela morte, seu desentendimento com a vida, seu descontentamento consigo. Talvez o chamariam egoísta, talvez chorassem alguns, espantassem-se outros. Mas então ele já não poderia sentir mais tudo isso, não haveria culpa porque não haveria Raul, não haveria punição, nem pânico, nem exaustão, nem incompreensão, nem companhamento nem divisão, nem Dor, nem tormento. Tudo exaurido, então entregue à instância maior do nada, à tranquila sensação não sentida de ser dinâmica no vácuo, à permissividade consentida de ser propriedade do vaga, à atividade não consciente, ao espaço solto no universo ou fora dele, à dimensão fora da realidade para onde vão todos os homens bons e maus desta nossa sociedade, por fim à morte, estado próximo de nós todos, com a qual nunca aprendemos lidar, nem os que ela absorve nem nós, que saudosos ficamos.

E tanto foi o choro àquela sala, lugar de início dessa vossa crônica mal feita, e tantas foram as lástimas, os planos e medos, o que nosso Raul, deitado e exausto, agora dorme. Nada foi feito de fato de tudo quanto foi premeditado. Amanhã, dia novo, mais uma morte acontece dentro dele, mais um sonho de fuga lhe acontece. E as pessoas ao redor, estas continuarão lá, intactas e felizes, conectadas em seus mundos, vibrantes e acesas e distantes, sem saber de onde o silêncio vem. Outro dia então, outra vez quem sabe, possa vir o silêncio novamente cravar grotas na mente de Raul, que de nome avesso, chama-se Luar e que tal como ele, morre e nasce dia após dia, vezes minguante, ora crescente, mas sem brilho próprio, que acontece e "desacontece" todos os sagrados dias.

Façamos silêncio, o menino dorme. Dorme, menino, dorme Luar.

Queda livre...

"A memória emitindo grito só porque uma foto caiu do livro. No retrato, os músculos das faces formam dois grandes sorrisos... tão sutis, tão leves. Parecidos [...] Suspensas, as letras deviam se derramar da página pro chão. Que sentido faz ler agora outra coisa que não a história que a consciência evoca? Te esconde, cara. Pode ser ali, debaixo da cama, ninguém vai ver. Chora... te permite. [...] Quantos blocos são necessários para erguer um homem? E quantos para desmoroná-lo? Ai ai... Guarda a foto, menino, limpa o rosto. Dorme, será bom morrer um pouco até o sol nascer. Desliga. Muitos amanhãs estão prescritos."

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Ópera do Silêncio
















Hoje os jornais saíram todos em branco.
Os carros andam de ré.
Nos correios, uma tonelada de correspondências,
mas os carteiros não acharam os endereços
porque as casas despregaram-se do chão e agora correm soltas no mundo.
Detentos voltaram ao presídio em busca de liberdade.
Os relógios se dissolveram e não há mais tempo.
As mulheres andam nuas e seus cabelos tocam o chão.
Os pianos desacompanhados choram melodias.
Na igreja, os santos sangram pelos olhos de barro.
Na orquestra, os instrumentos se levantam e se retiram,
saem cantando sós e ásperos a Ópera do Silêncio.

Veja, as esquinas cruzam os homens
e cada banco fala os segredos que ouviu,
cada rua desce sozinha em si mesma,
outras sobem.
Cada poste se conversa e cola no outro um cartaz 
anunciando o óbito súbito da lucidez humana.

Aqui na cidade
a Ópera do Silêncio
se canta a si sozinha.
Estranho dia, este.

Vejam-no, bem ali, O Corpo!
Não estava na sala a esmo?
Agora desfila pela cidade
em despejo fúnebre.
Pobre Corpo, já nem nome recebe
porque não se lhe chama mais.
Resultou inútil.
De que adianta a possibilidade de grito
se o som não existe para quem não é vivo?

Vejo da janela: todos seguem o cortejo.
As árvores vão jogando as suas próprias folhas no caixão.
O passaredo forma nuvem e silêncio.
Os ventiladores fazem um coral de vento
e as letras de todos os livros se extraem e se misturam no meio da procissão.
Atrás, todos os jardins estão mortos
e as flores acompanham a multidão
ofertando pétalas e cheiro.

Tudo exaurido, a Cidade enoitece.
O último pôr do sol é visto.
Para o cemitério levam o Amor,
frio e duro
pálido e branco.
Morto.
Descomprometeu-se com a causa da vida.
Foi sentenciado à pena mais atroz.

Fora da cova, muita chuva: choro de Deus.
Choram Fátimas
Choram Ritas
Choram Pedras e Luzes.
A lembrança emite um nó
e dói.
Dói o mundo.

Nunca mais será dia nesta Cidade.
Nunca mais ela tornará a Ser.
Dorme, cidade.

Estão jogando terra agora.
Adeus, Amor!